CHIP NA BOLA
A tecnologia da informação, aliada aos avanços na área da comunicação e ao surgimento de equipamentos sofisticados e modernos nos estádios, cada vez mais ajudará a proporcionar grandes espetáculos de futebol. Um desses equipamentos é a bola com chip, que promete auxiliar a arbitragem nas partidas e garantir o bom andamento do jogo. Naturalmente, os artistas principais continuarão a ser os jogadores, mas vamos também nos deter na figura do árbitro de futebol.
Os árbitros sofrem pressão fora e dentro do campo. Se o time perde em casa, a culpa quase sempre é do árbitro; se deixa o jogo rolar, é porque não tem pulso; se trava o jogo com cartões, é inseguro, prejudica o espetáculo. Por outro lado, quando o jogador erra, é porque faz parte do jogo e este pode dizer: “vamos levantar a cabeça e tentar sucesso no próximo”. O árbitro, por sua vez, não terá o próximo jogo para corrigir. Não é à toa que, muitas vezes, os jogadores saem abraçados, e o árbitro, protegido pela polícia militar.
Sua privacidade é sempre fragilizada, xingado muitas vezes pelo seu estilo, quer seja europeu, sul americano, arrogante, informal, formal, enfim, sem estilo. Pior ainda que, em muitas partidas importantes, a atuação do juiz pode criar conflitos raciais e até políticos, envolvendo crises de fronteira, divisa e limites geográficos.
Todo esse trabalho muitas vezes não é muito bem remunerado. Em média, os árbitros apitam três jogos por mês. Se forem árbitros da Fifa, série A, ganham em média R$9.000,00 por mês; série C, R$ 3.000,00 por mês. Com essa taxa mensal e as exigências técnicas, a arbitragem não é a sua principal renda, obrigando-os a terem emprego fora dos gramados.
A arbitragem exige concentração, controle emocional, pleno domínio das regras do jogo, condicionamento físico, firmeza nas decisões e – por que não? – dedicação exclusiva. Além da arbitragem, tem a parte burocrática: preencher súmula, vistoriar o campo e entregar o relatório sobre o jogo.
Se a bola vai ter chip e os nano robôs vão ajudar a arbitragem, para a beleza do espetáculo, isso é o que veremos em breve. Porém, o árbitro e sua mãe continuarão humanos, com cabeça, tronco, membros e alma. Por isso, antes de qualquer tecnologia, precisamos acima de tudo compreender sua essencial imperfeição humana.
Gilberto dos Passos Aguiar
Escritor e Engenheiro