Taquaras em balaios e hobby gerando renda
Ele tem 57 anos e um hobby carregado desde a infância, aprendido com a avó, descendente de índios. O lageano Sebastião Aldori Silva de Oliveira cresceu na região próxima ao rio Pelotas, na divisa entre Vacaria e Bom Jesus (RS), e já perdeu as contas de quantos anos faz que aprendeu a mexer, como ele mesmo diz, com a arte da transformação da taquara, em produtos artesanais, e melhor, baseadas na funcionalidade.
Arriscando palpitar um cálculo, acredita ter iniciado há 50 anos. Ele revela possuir mais de mil peças no acervo em sua casa. “Quando comecei eu era o maior egoísta, achava que sabia tudo. Eu sabia trançar, mas vim me transformando com o contato com outras pessoas. Minha mentalidade mudou. O artesanato me traz a maior tranquilidade. Eu me sinto muito bem, sozinho, fazendo artesanato”, diz. Morador do bairro Vila Maria, faz parte do grupo Saíram Marias, idealizado pela Associação Cultural Matakiterani, e apoiado pela Fundação Cultural de Lages (FCL). Suas fabricações estão expostas no estande do \" Saíram Marias \", no Shopinhão, na Festa Nacional do Pinhão.
Em seu portfólio, balaios, imãs de geladeira, jogos americanos e peças produzidas por alunos do curso ministrado por ele próprio. “Eu tenho outras atividades, mas meu vício é o artesanato. \" Sou taipeiro e construo casas e muros de pedra. Qualquer tipo de material que eu acho no campo eu transformo em dinheiro. De uma coisa que ninguém dá importância, eu transformo em renda. Se fosse para calcular o quanto já vendi até hoje, acho que daria para comprar o meu bairro”, brinca.
O artesão acredita que se a dedicação for exclusiva, o lucro pode ser de até R$ 1 mil por mês. “Eu casei novo, hoje sou até bisavô e naquela época não tinha escola itinerante. Quando minhas crianças (quatro filhos) terminaram a quarta série, viemos para a cidade para estudarem. Faz 25 anos que moro em Lages, mas eu vivo ‘no mundo’, no campo”, relata.
Legenda: Agora com 57 anos, artista relembra início da carreira, aos 7. (Foto: Cao Ghiorzi)