Mostra de artes no Rita Maria, em Florianópolis (SC)
A exposição aberta na noite de última terça-feira, 08, no Espaço Cultural Rita Maria, localizado no Terminal Rodoviário Rita Maria, centro, em Florianópolis (SC), conta com quadros pintados à óleo sobre tela; desenhos e até esculturas. Em algumas destas obras são utilizados materiais recicláveis e na elaboração da arte de escultura em papel como exemplo de algumas obras do Artista Plástico autoditata e também bancário Hideraldo Luis Santos, 48 anos, natural de Porto Alegre,RS, e atualmente morando em São José - região da Grande Florianópolis (SC). Juntamente com o Artista Plástico catarinene Rafael Paulo Cappai; que reside em Florianópolis, ambos realizam esta mostra que é destaque e vai até final deste mês de outubro.
Segundo o artista plástico Hideraldo Luis Santos, desde criança como algo natural descobriu que gostava muito de desenhar e necessitava fazer desenhos e pinturas além de envolver-se com montagens de pequenas esculturas com vários materiais recicláveis. Começava ali o caminho para desenvolvimento mais amplo de sua arte.
\"Eu estava sempre com um lápis em mãos e aproveitando qualquer superfície para, a meu modo e de acordo com minha percepção, deixá-las mais bonitas,claro que nem sempre os donos dessas superfícies, quando existiam, compartilhavam de minha satisfação\".
Ainda segundo Hideraldo, as tintas e telas foram descobertas a partir de um pedido de uma professora de matemática, que sabia de seus dotes artísticos, para que pintasse um quadro para ela. Nunca havia pintado antes e fiquei maravilhado em ver como aquelas tintas (a óleo ) fundiam-se perfeitamente, nessa época eu devia ter entre 12 e 13 anos\", assinalou.
Natural de Porto Alegre RS, Hideraldo morou também por dez anos na cidade portuária do Rio Grande (RS), onde cursou Geografia na faculdade federal. Ali, realizou algumas exposições, bem como, em outros eventos que se realizavam anualmente na cidade de Rio Grande.
\" Acredito que culturalmente o Brasil, (leia-se o povo), ainda não dá o devido valor a arte como ela merece em seus mais diversos segmentos. Existe pouco incentivo e também, talvez por consequência, pouco interesse, embora as regiões Sul e Sudeste devido a uma economia mais dinâmica se sobressaiam ao resto do país quanto à divulgação e oportunidades para novos talentos\", enfatiza o artista plástico Hideraldo L. Santos.
Considerado um pintor de preferências surrealistas por gostar de criar com as tintas, mundos, seres e ocasiões imaginárias, entretanto, segundo Hideraldo admira também o clássico em sua pintura e desenho. Com relação as esculturas, talvez depois da música, Hideraldo revela que para ela seja a mais bonita forma de arte por ser tridimensional. \"Estas obras que realizo (de papel), quando criança vi um tio meu fazendo para um carnaval, porém um pouco diferente pois ele fazia antes um molde de barro para posteriormente ser revestida de papel\".
Por ser morador de apartamento onde não se pode usar determinados materiais e o espaço é mais reduzido, Hideraldo teve que adaptar-se e criar outra maneira de fazer as atividades artísticas e foi desenvolvendo técnicas para montá-las sómente com o papel e papelão e talvez tenha criado uma forma única de trabalhar pois, segundo ele, nunca viu nenhum trabalho como este que realiza nesta área, pois suas peças são criadas do zero sem nenhum molde pré-concebido., concluiu o artista plástico.
Hideraldo Luis Santos, aprendeu também a arte da ouriversaria onde executou trabalhos em prata e ouro criando miniaturas nos dois diferentes metais. Fez algumas exposições em seu estado natal- o Rio Grande do Sul e em diversas faculdades, feiras e eventos. Foi membro convidado da “Estação das Artes” no Rio Grande do Sul. Filho e neto de artistas, seu avô, de nacionalidade portuguesa montou no Rio Grande do Sul, mais precisamente na cidade portuária do Rio Grande a ”Cia. De teatro Guarani” no inicio do século passado, hoje já extinta. Nesse viés, Hideraldo participou em Porto Alegre do grupo de teatro de rua “Doidas e Varridos” montando e executando diversas peças ao ar livre na cidade.
Rafael Cappi e sua arte que do inanimado faz dar vida à sua arte
(*) Joice da Silva Luiz
Decendente de italianos, Rafael Paulo Cappi, teve sua trajetória sempre voltada aos trabalhos manuais, transitou pelo mercado noveleiro e posterioremente na confecção de sapatos de couro artesanais além da pesca. Autodidata e possuidor de uma veia artística aflorada compõem belas letras de músicas, que dão cenário a suas obras.
Desde muito novo, Rafael Cappi, mostrou sua habilidade com artesanato fazendo chinelinhos decorativos emergindo sua vontade de pintar, transita em vários estilos que vão do figurativo ao abstrato, seu gênero é multifacetado trabalhando com tinta óleo e materiais reciclados dando uma nova imagem e utilidade ao que seria descartado.
Sua iniciativa de mágico consegue transformar sucata em arte, mostrando que tudo merece ser transformado e dado uma nova oportunidade incluindo o inanimado que por metamorfose volta à vida.