Cairo anuncia toque de recolher após 23 mortos em confrontos

As autoridades egípcias decretaram na noite deste domingo (9) um toque de recolher no centro do Cairo, após 23 pessoas terem morrido durante enfrentamentos entre manifestantes cristãos (coptas) e forças de segurança, anunciou a televisão pública.

\"[Será instalado] Toque de recolher das 2h da manhã às 7h (das 21h às 2h, pelo horário de Brasília) no setor de Maspero até a praça Abasiya\", disse a emissora.

Os confrontos começaram em Maspero, em frente à sede da televisão estatal, no centro da capital egípcia. A praça Abasiya, mais a leste, fica perto da principal catedral copta do Cairo.

O confronto deixou 23 mortos e 174 feridos, de acordo com o último relatório do Ministério da Saúde, citado pela TV, que não precisou quantos dos mortos eram manifestantes e quantos eram militares.

O balanço anterior era de 19 mortos, incluindo 16 manifestantes e três soldados. Os coptas respondem por 6% a 10% da população egípcia e protestam contra a queima de uma igreja na província de Aswan, no Alto Egito (sul do país).

\"egito\"

Resposta a ataque a igreja
Nas últimas semanas, revoltas eclodiram em duas igrejas no sul do Egito, motivadas por muçulmanos irritados com a construção de uma igreja. Um motim ocorreu perto da cidade de Aswan, mesmo depois de oficiais concordarem com a demanda de muçulmanos ultraconservadores, chamado salafistas, de retirar uma cruz e os sinos do prédio.

O governador de Aswan, general Mustafa Kamel al-Sayyed, aumentou ainda mais as tensões, dizendo à imprensa que a igreja estava sendo construída no local de uma pousada, sugerindo que era ilegal.

\"fogo\"

Os manifestantes dizem que os coptas estão exigindo a destituição do governador, a reconstrução da igreja, a compensação para pessoas cujas casas foram incendiadas e a repressão daqueles por trás dos motins e dos ataques à igreja.

Na semana passada, forças de segurança foram usadas para dispersar um protesto semelhante em frente ao prédio da televisão estatal. Os cristãos se irritaram com o tratamento dos manifestantes e prometeram fazer novos protestos até que suas demandas sejam atendidas.

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