Terrorismo \'à americana\' assusta EUA dez anos após 11 de setembro

O ataque realizado por um militar norte-americano à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009, deixou 13 mortos e evidenciou uma tendência que se consolida como principal risco à segurança dos Estados Unidos no combate ao terrorismo. Segundo o pesquisador americano J.M. Berger, os ataques a tiro realizados por “jihadistas” de origem americana e que agem sozinhos são o novo modelo de atentado incentivado pela al-Qaeda ao longo da década que passou desde que a organização conseguiu seu maior feito - seqüestrar 4 aviões, derrubar as torres gêmeas do World Trade Center, atingir o Pentágono e deixar quase 3 mil mortos.

“A mudança foi um resultado natural da pressão sobre a al-Qaeda, mas também é uma estratégia deliberada”, explicou Berger em entrevista ao G1. Autor do livro recém-publicado “Jihad Joe”, em que trata dos casos em que cidadãos norte-americanos se envolveram em terrorismo contra os Estados Unidos, ele diz que há até um manual de estratégias de “jihad sem liderança”.

Esta tática envolve pessoas agindo sozinhas, mas não tem funcionado. Houve mais de 180 casos de americanos tentando realizar atentados terroristas nos últimos 10 anos, mas apenas 4 conseguiram matar compatriotas no país”, explicou Berger. Segundo ele, o atentado em Fort Hood foi um dos mais “bem-sucedidos” desde o 11 de setembro. “A al-Qaeda tem incentivado que os terroristas simplesmente peguem uma arma e saiam atirando”, disse.

A questão, segundo ele, é saber se a al-Qaeda tem capacidade de fazer algo maior que atentados isolados assim. “Certamente eles não conseguem mais um 11 de Setembro, mas eles podem ter capacidade de realizar atentados isolados de grande porte. O FBI tem sido muito vigilante, mas ataques de individuais são mais difíceis de evitar com vigilância”, disse.

Americanos da al-Qaeda
Em seu livro, Berger diz que houve americanos envolvidos com a al-Qaeda desde o surgimento da organização terrorista, e que cidadãos dos EUA ajudaram até mesmo na realização dos planos terroristas de 11 de setembro de 2001. \"Nenhum americano teve papel central no 11 de Setembro, mas houve americanos que ajudaram\", disse.

O caso mais evidente, segundo ele, é o de Anwar Al-Awlaki, um dos mais procurados terroristas da atualidade, que alguns analistas dizem ter potencial de liderar a al-Qaeda após a morte de Osama Bin Laden. “Al-Awlaki deu apoio aos seqüestradores do 11 de Setembro em San Diego. Ainda não está claro o quanto ele sabia dos planos do 11 de Setembro, mas não há dúvidas da sua atuação”, disse.

Al-Awlaki tem sido um dos mais ativos terroristas americanos. Ele esteve envolvido em quase todos os planos terroristas nos EUA desde o 11 de Setembro, e é citado como tendo sido responsável intelectualmente inclusive pelo atentado de Fort Hood.

Após uma pesquisa aprofundada, Berger diz ter encontrado mais de 300 casos documentados de norte-americanos que se envolveram em movimentos militares jihadistas ao longo dos últimos 30 anos. Segundo ele, entretanto, não há um perfil padronizado dos americanos que se envolvem em terrorismo. \"Vemos casos de terroristas americanos com diferentes histórias. Há ricos, pobres, classe média, negros, brancos, árabes. Não existe um padrão para a forma como eles se tornam terroristas. Muitos se converteram ao islã apesar de uma criação tradicional ocidental.